PARCERIAS TEXTUAIS DECADENTISTAS


Coordenadores
Prof. Dr. Latuf Isaias Mucci (UFF)
Prof. Dr. Luiz Edmundo Bouças Coutinho (UFRJ)
Resumo: Neste Simpósio, os integrantes dos Grupos Estéticas de fim-de-século e Ressonâncias do Decadentismo na Belle Époque brasileira, vinculados ao Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil/CNPq, buscarão levantar novos dados a propósito da listagem de conjunções dos intelectuais, vivenciadas, especialmente, pelas curiosidades de interações no cenário cultural internacional, analisando como importantes escritores, ao terem assumido parcerias-textuais, divulgaram manifestações de estilos e reiteraram o repasse de notadas matérias estrangeiras, como o Romantismo, o Realismo, o Impressionismo, o Simbolismo e o Decadentismo. O Simpósio pretende abordar, numa das vertentes de sua pesquisa, como determinados escritores brasileiros exerceram modalidades de parcerias-textuais na Belle Époque do Rio de Janeiro, considerada, então, "a cabeça urbana do país". Mediante formas levantadas em diversos relatos, tais parceiros enfatizaram um tipo de conjunção de linguagem, a partir de relações repetidas nas conexões de escrita, assim como certas intertextualidades diante da pluralidade de estrangeirismos. Portanto, serão apresentados trabalhos que trazem resultados de pesquisa, articulando as figurações de um interlúdio estético, visando a refletir sobre os contemplados discursos da confrontação de idéias, como serão destacados os leitores-tradutores, cujas parcerias passaram a repensar estudos de vida literária ao dizerem respeito à investigação da escrita, indicando processo de criação na fonte a partir da qual relatar um acontecimento que concentra a proposta de configuração dos temas predominantes, como a possibilidade de ampliar inventário teórico-crítico acerca das representações enredadas nos fins do século XIX e nas primeiras décadas do século XX. "

Subtema: Literatura, dialogismo e intertextualidade

O LIVRO-RUA: UMA POÉTICA DO OLHAR URBANO
por Ângela Guida
Resumo
Este trabalho se propõe a tecer reflexões acerca da rua como um tecido urbano, como uma metáfora da urbes. Ao debruçar nosso olhar sobre a rua como um texto, seremos levados a também lançar nosso olhar em direção às cidades e a um personagem que em fins do século XIX e início do século XX assumiu o centro da cena – o flâneur. Desse, vamos perscrutar elementos sígnicos que, de certa forma, estão emaranhados na tríade – rua, cidade, flâneur. Nosso olhar-texto percorrerá ruas e cidades para pensar o temário urbano em sua plenitude. As reflexões aqui engendradas serão pensadas à luz dos pressupostos presentes no movimento de fien de siécle , denominado Decadentismo.
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A sedução poética das composições de Chiquinha Gonzaga e suas parcerias textuais: o nascimento de uma estética brasileira na música do início do século XX.
por Cida Donato
Resumo
O Final do século XIX e o início do XX marcaram o Rio de Janeiro com as transformações que promoveram em seus espaços e organizações sociais, deixando a cidade partida e esteada por pilares que se dividiam entre a burguesia capitalista e a massa pobre — em sua maioria negros, mestiços e judeus —. Apesar de todo o seu brilhantismo, a Belle Époque carioca não conseguiu ocultar a contra-cena, a qual colocava em foco os movimentos das margens, movimentos estes que influenciaram, consideravelmente, as digitais da cultura brasileira. É nesse contexto, de pólos antagônicos e esferas híbridas, que despontou uma das vozes mais subversivas da arte nacional: Chiquinha Gonzaga. Pertencente às duas classes mais discriminadas de seu tempo, mulher e mestiça, Chiquinha levantou-se contra o autoritarismo masculino e os discursos sectários, defendendo veementemente as suas idéias e abraçando a sua maior paixão: a música. Em sua eloqüência poética, subverteu a moral burguesa e encarnou a verdadeira essência do signo dandi, firmando parcerias que foram fundamentais para a estética da música brasileira, dentre elas a estabelecida com Anacleto de Medeiros, um dos maiores responsáveis pelo 'abrasileiramento' da música desse período.
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A LUTA PELO TEATRO: O LUGAR DE "PELO AMOR!" DE COELHO NETTO NA PRODUÇÃO TEATRAL DOS ÚLTIMOS ANOS DO SÉCULO XIX
por Danielle Crepaldi Carvalho
Resumo
Coelho Netto teve grande importância no cenário intelectual brasileiro de fins do século XIX e começo do século XX, período em que publicou aproximadamente 100 volumes. Parte importante desse trabalho foi dedicada ao teatro, pois o literato acreditava caber ao palco a condução do país ao mesmo progresso intelectual vivido pela Europa. Tenho por objetivo analisar texto, encenação e crítica de “Pelo Amor!”, primeira produção teatral de Coelho Netto posta sob as luzes da ribalta. Essa peça foi escrita em 1897, momento no qual se considerava que o teatro vivia uma crise, pois o público preferia as produções que davam ênfase à música popular e a aspectos cenográficos em detrimento do texto. O literato, crítico desse teatro, bebeu das fontes européias para, como ele afirma, seguir a estética simbolista. Para isso, associou-se a um elenco amador formado pela elite, pois acreditava que os artistas profissionais, na maioria, estrangeiros de classes populares, não tinham a educação necessária para encenarem a verdadeira arte. A novidade não demora a mobilizar os jornalistas que, ao dialogarem com a longa defesa que Coelho Netto faz de sua peça na imprensa, ajudam a dar cor a um momento que há muito se esvaeceu.
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A escrita labiríntica, a intertextualidade,o flanêur,as velhas/novas influências do Decadentismo na obra de José Geraldo Vieira, " A túnica e os Dados".
por Elis Crokidakis Castro
Resumo
Nesse artigo, escrito com base no livro “A túnica e os dados”, 1945, mostraremos em que pontos a escrita de José Geraldo Vieira, tangencia os elementos recorrentes da escritura decadentista mantendo com esta um diálogo criativo,curioso e místico.
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QUANDO O CORPO TRANSTORNA O CORPUS: SOBRE AS (DES)FIGURAÇÕES DO CORPO NA POESIA DE AUGUSTO DOS ANJOS
por FERNANDO FABIO FIORESE FURTADO
Resumo
“Pode-se dizer que, ao longo do processo poético brasileiro até Augusto dos Anjos, quase sempre o poeta ocultou o homem. Talvez por isso mesmo – mas não só por isso – é que, na obra do poeta paraibano, o homem aparece de maneira tão escandalosa, a exibir seus intestinos, seu cuspo, sua lepra, seu sexo, sua miséria. E também, talvez por isso, o próprio poeta que o exibe não o aceita.” A partir das palavras de Ferreira Gullar no já clássico ensaio “Augusto dos Anjos ou vida e morte nordestina”, pretende-se investigar as figurações desfiguradas e as desfigurações figuradas pelo autor do Eu em torno do corpo humano, considerando a agonística deste diante da realidade dessacralizada pelo cientificismo oitocentista e dos monstros e freaks engendrados pela sociedade urbano-industrial de princípios do século XX.
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O "mármor da Lacônia" e a "delícia do pecado": Bilac decadentista
por FERNANDO MONTEIRO DE BARROS
Resumo
Nas palavras do crítico José Carlos Seabra Pereira, o estilo decadentista na literatura do final do século XIX mescla “aristocratismo esteticista” a um “refinamento mórbido da sensibilidade”. Na poesia, é freqüentemente ressaltada a aproximação entre Decadentismo e Simbolismo; no entanto, nossos poetas parnasianos brasileiros, raramente ortodoxos, freqüentemente deixam entrever em suas obras a conjugação do esteticismo com venenos requintados. Apresentando em sua poesia referências a Théophile Gautier e Charles Baudelaire, estetas tutelares não só do Parnasianismo como do Decadentismo, Olavo Bilac em vários momentos tinge seus metros parnasianos com exotismo luxuoso e perverso entremeado de dandismo, como procuraremos demonstrar.
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Eduardo Guimaraens e Dante
por FRANCINE FERNANDES WEISS RICIERI
Resumo
Em 1916, Eduardo Guimaraens publica a obra "Divina Quimera" cujo título já alude a uma relação direta com o autor da "Divina Comédia". Contudo, Dante não é a única parceria que a obra convoca: o título escolhido para o livro permite ainda entrever alusões a Nerval e a Mallarmé. O objetivo desta comunicação é examinar aspectos da concepção da escrita poética na obra de Guimaraens, a partir da discussão de alguns de seus poemas e do modo de estruturação do livro mencionado que, em seu conjunto, organiza-se, entre outros processos, pela alusão a diversos textos poéticos e pelo acionamento de linguagens e procedimentos compositivos que se entrecruzam. Dante será priorizado na discussão, que, no entanto, pretende explorar o modo pelo qual o escritor atualiza parcerias textuais múltiplas, caras ao referencial simbolista/decadente, tais como Poe, Baudelaire, Verlaine, o próprio Mallarmé, além do mencionado Dante.
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FIGURAÇÕES INTERSEMIÓTICAS DE SALOMÉ, MITO DECADENTISTA PAR EXCELLENCE
por Latuf Isaias Mucci
Resumo
Em nossa tese de doutorado em Poética – A poética do Esteticismo - desenvolvida sob a orientação do Prof. Dr. Luiz Edmundo Bouças Coutinho e defendida, em 1993, na UFRJ, contemplou-se, no capítulo que tomou como corpus as matrizes plásticas daquela estética pura, a obra de Gustave Moreau (1826-1898). No presente trabalho, operamos hipertextualmente, investigando, a partir daquele estudo original, as figurações de Salomé no diálogo intersemiótico, travado pela literatura, pela pintura e pela música.
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PAULO BARRETO E ELYSIO DE CARVALHO: PARCERIAS DO DECADENTISMO
por LUIZ EDMUNDO BOUÇAS COUTINHO
Resumo
Pretendemos analisar como Paulo Barreto e Elysio de Carvalho exerceram o eixo de parcerias textuais favorecedoras pela importância das influências do Decadentismo, no cenário da Belle Époque carioca. Marcadamente, eles refinaram correspondências ascensionais de refletirem certas temáticas teorizadas pelos decadentistas; associaram-se às instigantes aplicações sobre o repasse de uma encenação paralela, ao nortearem o ingresso de escritas nos domínios teatrais postulados pelo dandismo, como também no resgate de provocações acerca do paradoxo. Considerados como os primeiros brasileiros tradutores de Oscar Wilde, Paulo Barreto e Elysio de Carvalho procuraram viver e cintilar a originalidade das idéias wildeanas, tendo encaminhado diversos comentários sobre o consagrado escritor pelo qual se mostraram verdadeiramente encantados.
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OSCAR WILDE, ADOLFO CAMINHA E AS RESSONÂNCIAS DECADENTES NA LITERATURA DE TRANSGRESSÃO
por Luiz Guaracy Gasparelli Junior
Resumo
As marcas eróticas e decadentes do dândi Oscar Wilde (1854-1900), e o controverso romance atribuído a ele, Teleny, ou o reverso da medalha, são os leitmotives de nosso ensaio, que perpassa pelos signos produtores de uma visão muitas vezes revisitada por outros escritores, como o brasileiro Adolfo Caminha (1867-1897), em sua obra Bom Crioulo. Tanto a temática quanto a construção de espaços das obras lidam com significâncias de uma rede múltipla decadentista. O esteticismo, reproduzido em ambientes e vestimentas, e a degradação moral, nas ações, serão os signos desvelados para a tessitura, num percurso semiológico, do que podemos ler na produção de sentidos e contextos nas duas obras analisadas.
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AS CRÔNICAS DIALOGADAS DE FIGUEIREDO COIMBRA
por Marcela Ferreira
Resumo
Em 1884, Argemiro Gabriel de Figueiredo Coimbra (1866-1899) começa sua carreira de dramaturgo com a peça em verso A carta anônima. Com o grande sucesso no teatro, surgiram oportunidades para Coimbra de colaborar nos periódicos cariocas e, dessa forma, ele oscilava entre o palco e o jornal, construindo sua vida literária nesses dois ambientes. No periódico A notícia, o autor colaborou desde a fundação do vespertino em setembro de 1894 até 1899, ano de seu falecimento. Nessa folha, Coimbra escreveu textos e comentários sobre os fatos da época e criou duas colunas de crônicas: “Notas de um simples” (1894-1896) e “Diálogos” (1895-1899). O objetivo dessa pesquisa é estudar a construção formal dos “Diálogos”, que se apresentavam como uma espécie de cena teatral e, dessa forma desvendar as peculiaridades e finalidades dessas crônicas dialogadas, que traziam comentários cômicos e irônicos sobre a vida cotidiana no Rio de Janeiro no século XIX.
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ERRÂNCIAS, BIOGRAFEMAS, MISE-EM-SCÈNE: MARCAS DO DECADENTISMO EM CARTAS DE FLORBELA ESPANCA E CAIO FERNANDO ABREU
por Rodrigo da Costa Araujo
Resumo
Esta reflexão buscará estabelecer relações entre a criação literária e o discurso epistolar. Na abordagem, serão lidas, pelo olhar semiológico e sob o signo biografemático, as cartas de Florbela Espanca (1894-1930) e de Caio Fernando Abreu (1948-1996), que, ao gosto decadentista, trazem as alegorias próximas das formas fluidas e dos valores temático-formais da prosa finissecular. Signo da fusão definitiva da arte e da vida, as cartas e os diários as amalgama (de tal forma) que acaba por se dar a ler (nas síncopes dos seus pulsantes fragmentos) uma cartografia semiótica e fantasmática da escritura.
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