A LITERATURA EM TEMPOS EXTREMOS: SENTIDOS DA CRÍTICA, DA PESQUISA E DO ENSINO

05 DE NOVEMBRO, 14h

Link para a live: tiny.cc/ABRALIC

Intermitências da vida: por uma pedagogia do tédio na pesquisa e no ensino de literatura

Rachel Esteves Lima (UFBA)

O trabalho tem como objetivo discutir a importância do tédio, entendido como a vivência de uma temporalidade não pautada pelo mecanicismo do tempo cronológico, para a produção de saberes que se tornam práxis, na medida em que são fruto de uma intensa experiência em que o corpo se implica na construção de ideias e práticas que promovam o bem-viver. A reflexão também tentará situar, a partir da tática que venho adotando na pesquisa e no ensino remoto, no atual período de quarentena, a necessidade de se construir um espaço em que o sofrimento decorrente das perdas que rondam a todos nós possa ser expresso e elaborado em coletividade.

Rachel Esteves Lima é professora Titular de Literatura Brasileira na Universidade Federal da Bahia, com estágios pós-doutorais realizados na Universidade Paris XIII e Universidade de Bolonha, e Doutorado em Estudos Literários/Literatura Comparada na Universidade Federal de Minas Gerais. É pesquisadora do CNPq e coordenadora do Núcleo de Estudos da Crítica e da Cultura Contemporânea, no Instituto de Letras da UFBA.

Literatura como diálogo, resistência e esperança

Germana Sales (UFPA)

Para falar de Literatura como diálogo e esperança e, portanto, como forma de resistência, parto das seguintes questões: Como a produção literária, de séculos anteriores, se estabeleceu no cotidiano do leitor? Quais os caminhos e perspectivas dos estudos literários na cena contemporânea? Qual o lugar da Literatura, em seus diversos gêneros, na vivência do leitor atual? Tais questionamentos necessitam de outros que os complementam, como a observação em torno do que lê o público na atual conjuntura. Esta comunicação tem como objetivo refletir sobre a literatura e sua permanência no cotidiano, num mundo com máscaras e sem elas.

Germana Araújo Sales possui Graduação em Letras pela Universidade Estadual do Ceará - UECE (1989), Mestrado em Letras: Teoria Literária pela Universidade Federal do Pará - UFPA (1997) e Doutorado em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP (2003). É professora Titular do Instituto de Letras e Comunicação (ILC), da Universidade do Federal do Pará, com atividade docente na Graduação e Pós-Graduação, atuando especialmente em temáticas referentes à literatura do século XIX e ensino de Literatura. Exerceu o cargo de Presidente da Associação Brasileira de Literatura Comparada (ABRALIC, gestão 2014-2015) e da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa (ABRAPLIP, gestão 2018-2019). Atualmente exerce a função de Coordenadora da Área de Linguística e Literatura da CAPES [Portaria No 69 do Diário Oficial Nº 66, 6 de abril de 2018]. Publicou vários capítulos de livros, artigos e organizou coletâneas de livros. Tem experiência na área de Letras, com ênfase na Literatura Portuguesa, História da Literatura e História do Livro e da Leitura, com destaque nos seguintes temas: comércio de livros entre Portugal e Brasil; estudos do romance no século XIX; crítica ao romance no Oitocentos, prosa de ficção oitocentista.

Literatura, política e resistência em contextos autoritários

Cláudia Caimi (UFRGS)

Grande parte dos livros de memória ou literários que abordam as ditaduras militares dos anos 70, no continente americano, são escritos por homens ou abordam a participação na luta e resistência de um ponto de vista de ausência de gênero, tornando invisível a participação e o gesto feminino neste contexto de violência e trauma. Esta reflexão reúne dois livros, um de memória, Volto Semana que vem (2015), de Maria Pilla, e um literário, Jamais o fogo nunca (2007), de Diamela Eltit, que colocam a mulher como protagonista da ação, da memória e da experiência política. Busca-se os reveses presentes nessas narrativas e as formas de comportamento que a experiência militante produziu e significou para as mulheres.

Claudia Luiza Caimi é professora associada no Departamento de Linguística, Filologia e Teoria Literária, no programa de Pós-Graduação em Letras, linha de pesquisa Teoria, Crítica e Comparatismo e no programa de Pós-graduação em Psicologia Social e Institucional, linha de pesquisa Clínica, subjetividade e política, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Brasil. Doutora em Letras/Teoria da Literatura, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUC/RS, Brasil. Pós-doutorado no Centro de Estudos Comparatistas, na linha Memória, Testemunho, Esquecimento, na Universidade de Lisboa. Coordenadora do grupo de pesquisa Narrativa, memória e política/UFRGS. Suas publicações versam sobre o tema memória e política.

Rejane Pivetta (UFRGS) — mediação

"Não saia do quarto, não cometa esse engano", de Joseph Brodsky

Tradução de Marina Darmaros

Marina Darmaros traduz especialmente para o site da ABRALIC um poema de Joseph Brodsky que guarda certa ressonância com os tempos de isolamento por que estamos passando. Em 1970, quando foi escrito o poema, houve uma epidemia de cólera na Rússia que acometeu todo o país, inclusive Moscou e Leningrado, a partir do Irã. Muitas regiões então tiveram decretada quarentena. A epidemia foi contida em novembro daquele mesmo ano. Não há evidências, porém, de ligação entre os versos e o momento que se vivia na Rússia.

Marina Darmaros é doutora em Literatura e Cultura Russa pela Universidade de São Paulo e mestra em jornalismo internacional pela Universidade Estatal Russa da Amizade entre os Povos.

 

VEJA AQUI A TRADUÇÃO

HOMENAGEM A JOÃO CABRAL DE MELO NETO NO CENTENÁRIO DE SEU NASCIMENTO

Palestra de Roniere Menezes

A palestra "Ressonâncias da canção popular em João Cabral", de Roniere Menezes (CEFET-MG/CNPq), é uma homenagem da "ABRALIC 2020: Diálogos Transdisciplinares" ao Centenário de nascimento do poeta pernambucano. O texto aborda a presença de cantos populares espanhóis e brasileiros (pernambucanos) na obra de João Cabral de Melo Neto. Conhecido por seu afastamento de uma concepção de poesia melodiosa e mesmo pela preferência por diálogos entre a linguagem poética, arquitetônica e pictural, a música aparece constantemente nas criações do autor, por meio do ritmo, de uma métrica pouco comum no Brasil, das rimas toantes, das aliterações, etc. O autor escreveu poemas que tratam da música flamenca e de canções nordestinas. O ensaio de Roniere Menezes estabelece comparações entre os dois tipos de textos e analisa relações existentes entre eles e o projeto poético do autor. O trabalho interessa-se em refletir sobre a obra cabralina por meio da investigação sobre incidências da linguagem e da temática musical popular nas criações.

A ABRALIC também recomenda a palestra realizada por Roniere Menezes na Academia Mineira de Letras, dia 13 de agosto de 2020, intitulada "A poesia afiada e afetiva de João Cabral". Nesta apresentação são abordados aspectos biográficos do poeta e é apresentado o conceito de "diplomacia menor" – desenvolvido pelo ensaísta – ligado à transdisciplinaridade, à relação com a outridade, ao afeto pela diferença. O trabalho também avalia a noção de resistência e a questão da memória na produção do autor.

Roniere Menezes é professor de Literatura Brasileira e Teoria da Literatura no CEFET-MG. É doutor em Literatura Comparada pela Faculdade de Letras da UFMG e realizou estágio pós doutoral no PACC (Programa Avançado de Cultura Contemporânea) da Faculdade de Letras da UFRJ. É autor de vários ensaios acadêmicos sobre literatura, diplomacia, música popular e cultura brasileira. Em 2011, lançou o livro O traço, a letra e a bossa: literatura e diplomacia em Cabral, Rosa e Vinicius, pela Editora UFMG.

VALORES E PRAZOS INSCRIÇÃO E ANUIDADE

Caros participantes da ABRALIC 2020,

Desejamos que todos estejam bem e com saúde.

Levando em consideração vários pedidos da comunidade de associados e a atual situação da pandemia do COVID-19, a ABRALIC ampliou o prazo para o pagamento da inscrição [e da anuidade] para 19 de novembro de 2020. Este também será o prazo final para o pagamento da anuidade, a fim de que possamos fazer o encaminhamento das publicações dos trabalhos apresentados em tempo hábil. Ressaltamos que, conforme normas do congresso, os participantes na modalidade comunicação precisam, para certificação e envio de texto para e-book, estar em dia com a associação através da quitação da anuidade.

Mais uma vez agradecemos sua participação no congresso e convidamos para que visitem a página da ABRALIC (http://www.abralic.org.br/), que contém a programação do evento em andamento.

Com votos de saúde, subscrevemo-nos.

Diretoria da ABRALIC
Biênio 2020-2021

Consulte aqui os valores da anuidade e inscrição de acordo com a sua categoria

MEMÓRIA DA ABRALIC: Gilda Neves Bittencourt

Débora Mutter entrevista Gilda Neves Bittencourt

No dia 17 de setembro de 2020, participei do projeto Memória da ABRALIC, que busca inventariar a memória da associação por meio de entrevistas e depoimentos de seus sócios fundadores.

Tive a honra e a grande alegria de participar como entrevistadora da professora Gilda Bittencourt, contando com o precioso apoio técnico de Otávio Neves da Silva Bittencourt.

A professora Gilda é uma comparatista da primeira hora. Antes do surgimento da associação, participou da reformulação da grade curricular na UFRGS ajudando na elaboração da ementa da primeira disciplina de Literatura Comparada. Do mesmo, trabalhou na criação do doutorado em Literatura Comparada no PPG da UFRGS. A professora Gilda assinou a ata de fundação da ABRALIC e, com isso, sua história se confunde com a história da instituição.

A professora Gilda é uma comparatista da primeira hora. Antes do surgimento da associação, participou da reformulação da grade curricular na UFRGS, ajudando na elaboração da ementa da primeira disciplina de Literatura Comparada, que foi ministrada por ela. Do mesmo modo, trabalhou na criação do doutorado em Literatura Comparada no PPG da UFRGS. A professora Gilda assinou a ata de fundação da ABRALIC e, com isso, sua história se confunde com a história da instituição.

Gilda Neves Bittencourt possui graduação em Licenciatura Em Letras Português e Inglês pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1976), mestrado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1983) e doutorado em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (1993). Atualmente, é professora associada aposentada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Com artigos e ensaios publicados em revistas acadêmicas, domina as áreas de Teoria Literária, Literatura Comparada e Literatura Brasileira, com ênfase nos estudos do gênero conto, das relações interliterárias, conto brasileiro, conto latino-americano e literatura brasileira. É autora de Conto Sul-rio-grandense tradição e modernidade (tese de doutorado) Editora da Urfgs e do livro Retratos do conto (organização de textos do seu projeto de pesquisa sobre o conto latino-americano), editora Appris.

Débora Mutter é graduada em letras pela UFRGS; mestre em Literatura Comparada e doutora em Estudos de Literatura Brasileira e Luso-africanas, ambos pela UFRGS. É autora do livro A poética da perseguição em Clarice Lispector e Julio Cortázar (2009), pela editorada Ulbra, estudo crítico resultante da dissertação de mestrado; de Um romancista ao Sul: a ficção de Luiz Antonio de Assis Brasil (2017), pela editora Besourobox. Organizou a coletânea de ensaios Simões Lopes Neto: ontem hoje e sempre (2017), pela editora Unilasalle; a coletânea ficcional Contos de pampa e fronteira (2019), na qual também participa como ficcionista. Atualmente, dedica-se à sua pesquisa de pós-doutorado pelo PPG da PUCRS.